Ao considerar a telenovela como um instrumento de educação,
deve-se levar em conta a especificidade desse fenômeno, voltando-se à forma
de tratamento da mensagem e não à mensagem propriamente dita.
Sendo um produto da sociedade na qual se apresenta, por ser produzida por
esta sociedade, a telenovela revela como tal sociedade se organiza, quais
seus valores e costumes.
Tradicionalmente, os brasileiros têm maior identidade com a comunicação
oral e visual, consequência dos longos processos de alfabetização
e da falta de estímulo à leitura.
Por meio dos apelos das telenovelas
- referimo-nos aos recursos visuais e tecnológicos - o educador poderá observar um maior interesse
por parte dos estudantes. O uso da telenovela permite que os conteúdos
cheguem de uma maneira muito mais familiar aos alunos, de modo a sentirem
mais conforto em olhar para os novos conhecimentos por meio desses filtros,
que lhes são tão seguros.
Os tempos mudaram e as linguagens também. Assim, a comunicação
em sala de aula precisa ser aperfeiçoada. Os jovens, atualmente, estão
muito mais familiarizados com os recursos tecnológicos, isso já está incorporado
em sua linguagem.
O discurso pedagógico deve considerar a telenovela um diálogo
crítico, e ao mesmo tempo reconhecer as possibilidades operacionais
que se abrem para a escola com o aprendizado sobre esse gênero televisivo.
A
telenovela é um meio de comunicação, um elemento
de influência para a avaliação da história e dos
personagens. Também projeta no telespectador a fantasia e o imaginário.
A linguagem da telenovela é simples, despojada, concreta, possibilitando
ao telespectador acompanhá-la sem maior esforço de entendimento.
O ritmo é acelerado, baseia-se na ação, por isso a telenovela é uma
narrativa de ação. Constitui-se, assim, uma ferramenta da educação,
ou melhor, pode contribuir nas construções de valores e de
autoconhecimento e na aprendizagem por meio de uma investigação
e crítica no sentido de como são desenvolvidas.
O professor não é o vilão dessa história, é tão
vítima quanto os alunos. Não tendo o devido preparo em seus
cursos de graduação e licenciatura, o professor não
se aventura a trabalhar com a teledramaturgia em sala de aula, especialmente
porque não domina essa linguagem. Assim como a sociedade, pais, direção
e professores, a escola também exclui a telenovela, considerando-a
um produto aquém e desprezando-a. A realidade é que o educador
não sabe o quê e como explorar este gênero, não
percebe que a telenovela é um rico instrumento de apoio aos conteúdos
interdisciplinares.
O estudante brasileiro, em grande maioria, vem da cultura
da oralidade, e nós sabemos da dificuldade de acesso a livros, jornais
etc. Dessa forma, podemos aproveitar mais a telenovela dentro do contexto
da escola.
Precisamos interagir com os meios de comunicação, principalmente
a telenovela em relação ao gênero literário. Se
a telenovela é aceita e amplamente difundida no convívio social,
logo ela pode permear todo o trabalho educacional. A escola já não
pode ignorar a importância e o impacto dessa produção
cultural como meio transformador da vida dos jovens e de nossa sociedade.
Por
Luís Fernando Ferreira de Araújo é professor universitário,
doutorando em Educação, Arte e História da Cultura.
Fonte: Revista Ensino Superior